
“Todo tempo quanto houver
Pra mim é pouco
Pra dançar com meu benzinho
Numa sala de reboco”
Pioneiro na cidade, o Projeto Sala de Reboco dá destaque ao forró pé de serra executado pelos principais trios e bandas do Brasil e, ao mesmo tempo, abre espaço para novas bandas e grupos, com outras (in)formações.
O projeto foi inaugurado em março de 1997, na antiga Boate Trash (Ex Cinema Santa Teresa), em Belo Horizonte, onde ficou, por três meses, realizando o forró aos domingos. Em junho de 1997, foi transferido para o então Blue Banana, que virou Lapa Multshow em março de 1999.
O nome Sala de Reboco é inspirado no título da música homônima, de José Marculino e Luiz Gonzaga, que o identificava como um projeto de forró. Entretanto, desde o início, o grupo que criou o projeto já trabalhava com muitos outros ritmos e gêneros musicais.
Sendo assim, desenvolver o Projeto Sala de Reboco significava compreender a diversidade e pluralidade da música brasileira, reforçando o compromisso do Lapa em ampliar o leque de opções para o nosso público, clientes, artistas, bandas e produtores.
O primeiro a se apresentar no projeto foi Hudson de Souza e sua banda. César do Acordeon e o Trio Sabiá foram os primeiros convidados. A partir daí, vieram, ao longo desses 13 anos, inúmeros shows, dentre os quais podemos destacar: Dominguinhos, Elba Ramalho, Trio Virgulino, Falamansa, Rastapé, Xangai, Trio Jerimum, Trio Bodocó, Chama Chuva, Triângulo Caraiva, Trio Forrozão, Três do Nordeste, Geraldo Azevedo, Forroçacana e Trio Xamego, Bicho de Pé, Bando de Maria, Havengar, entre centenas de outros.
O forró hoje
A partir da década de 70, com a organização e massificação da “indústria cultural” no país, a indústria fonográfica ganhou novo impulso, projetando e lançando novos ritmos, regiões e, principalmente, “modas”. Dentre estas, cabe destacar a lambada, na década de 80, e o Axé Music, na década de 90, entre outras que vem e vão, conforme os interesses dessa mesma indústria.
Em meio a tantas “modas”, o Brasil e seus artistas continuam a produzir uma música perene, que também tem o seu lugar ao sol. As experiências do Tropicalismo, da Bossa Nova, do Clube da Esquina e os diversos ritmos e artistas regionais continuam movimentando milhões de pessoas em seus eventos e lançamentos musicais.
Dentre as “modas” estabelecidas algumas vêm de encontro a essa música perene. Um bom exemplo é o forró, ritmo que possui, em sua história, músicas e artistas de altíssima qualidade. Luis Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, João Silva, Elba Ramalho, entre muitos outros compositores são alguns nomes dessa realidade.
O turismo e o trabalho de produtores visionários são os grandes responsáveis pela disseminação e divulgação do forró. Em suas viagens de lazer ou trabalho, principalmente nos “points” conhecidos do ritmo, as pessoas, em particular os jovens e adolescentes, se encantam, cada vez mais, com a “dança a dois”, que havia perdido espaço nas últimas décadas.
Outra razão para a popularização do forró em todo o Brasil é “a vontade de se dançar junto”, surgida a partir de meados dos anos 80, quando começou-se a frequentar a Vila de Itaúnas, no Espírito Santo.
Primeiro em São Paulo, depois em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Vitória e todo o interior do país, pessoas redescobriram o prazer de ouvir e dançar o verdadeiro forró pé de serra, que continua ganhando adeptos no Brasil inteiro.
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